Era uma vez um homem chamado Elias, que vivia em uma aldeia cercada por montanhas e sonhos. Todas as noites, ele se sentava diante de um espelho mágico que lhe mostrava o mundo — chamavam-no de tela. O espelho falava, cantava, chorava. E Elias, encantado, acreditava que ali estava a verdade inteira do viver.
No início, o espelho mostrava o belo: o nascimento de estrelas, crianças sorrindo, mares dourados pelo sol. Elias sentia o coração florescer — e dormia em paz. Mas, com o tempo, o espelho começou a mudar. Surgiram nele gritos, incêndios, corpos caídos, guerras que jamais cessavam.
O espelho dizia:
— Olhe, Elias. Isso é o mundo. É preciso estar informado.
Elias acreditava. Toda manhã, assistia às dores alheias como quem bebe água amarga. E quanto mais via, mais pesado ficava. Já não dormia, sonhava com tiros e sirenes. O pão perdeu o gosto, o riso perdeu o tom.
Um velho sábio da aldeia o encontrou certo dia e disse:
— “Por que regas o jardim da tua alma com lágrimas que não te pertencem?”
Elias respondeu:
— “Mas eu preciso saber o que acontece no mundo!”
O velho sorriu, com ternura e firmeza:
— “Saber é uma bênção, mas se o saber for envenenado, ele mata a esperança. A tela não te mostra o mundo — mostra o medo. E o medo, quando alimentado, devora a alegria.”
Naquela noite, Elias apagou o espelho. Silêncio. Pela primeira vez em anos, ouviu o vento sussurrar nas árvores e o próprio coração batendo. Saiu ao jardim e viu flores que não percebia há muito tempo. A lua parecia mais viva do que qualquer manchete.
Então compreendeu: nem tudo que se mostra merece ser visto. Há notícias que informam — e há notícias que intoxicam. O mundo não é feito só de morte, mas é a morte que vende. O olhar, quando se acostuma à tragédia, esquece a beleza.
Elias passou a escolher o que assistir. Buscou histórias de reconstrução, de coragem, de afeto. Descobriu que o bem também existe — só é tímido, não faz barulho.
Desde então, ensinava aos jovens da aldeia:
“Cuidem do que deixam entrar pelos olhos.
A mente é um jardim: se regarem com sangue, nascerá medo;
se regarem com luz, florescerá paz.”
E assim, a aldeia foi se tornando mais silenciosa, mas também mais humana.
A moral da parábola “O Jardim das Imagens” é:
Devemos escolher com sabedoria o que deixamos entrar pelos olhos e pela mente, pois aquilo que consumimos molda o que sentimos, pensamos e nos tornamos.
Assistir constantemente a conteúdos de violência, tragédia e desespero pode nos adoecer em silêncio — alimentando o medo, o pessimismo e a apatia. Já escolher informações e histórias que inspiram, educam e despertam empatia é uma forma de proteger a alma e cultivar esperança.
Em outras palavras:
A mente é um jardim — o que plantamos nela floresce.