As luzes piscam na parede,
sussurram mundos que não são meus.
Histórias de vidas que passam rápido,
gritos que ecoam, risos que se dispersam.
Olhos fixos, corpo imóvel,
o tempo escorre entre dedos digitais.
Notícias de tragédias e amores alheios,
como chuva ácida sobre o jardim da alma.
Às vezes, a tela é abrigo,
um colo frio que consola.
Outras, é prisão de sombras,
onde o coração se cansa de sentir.
E eu penso: será que vejo ou apenas consumo?
Será que aprendo ou apenas me acostumo?
Cada frame um convite,
cada som, uma corrente invisível.
Mas há beleza — sim, há —
quando a luz revela sorrisos sinceros,
quando histórias inspiram coragem,
quando o mundo, mesmo em pixels, nos toca.
Então desligo a luz,
respiro o silêncio,
e percebo: a vida pulsa fora da tela,
onde os olhos encontram cheiro, toque e vento.
Entre assistir e viver,
escolho sentir. 🌙