Parábola: Nasci duas vezes

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Havia uma pequena árvore plantada ao acaso, esquecida à beira de um campo. Cresceu tímida, com raízes rasas, sem saber se teria forças para permanecer. O vento lhe contava histórias de florestas distantes, e ela sonhava em pertencer a algum lugar, mas sua origem estava envolta em silêncio.

Um dia, um jardineiro passou por ali. Viu naquela árvore frágil não apenas o que era, mas o que poderia se tornar. Com cuidado, retirou-a da terra dura e a levou para o seu jardim. Replantou-a em solo fértil, regou-a, falou com ela como se fosse filha. A árvore, então, sentiu-se renascer: descobriu que a vida também pode brotar de um gesto de acolhimento.

Com o tempo, suas raízes se aprofundaram, seus galhos se abriram em sombra generosa. E, ainda que não esquecesse o campo onde nascera, soube que ali, no jardim do jardineiro, havia encontrado o sentido de seu crescimento.

Assim, a árvore pôde dizer:
— Nasci duas vezes. A primeira, no silêncio da terra que me deixou; a segunda, no abraço que me acolheu e me deu um novo nome.

E o jardineiro respondeu com um sorriso sereno:

— Não importa quantas vezes você nasceu. O que importa é que agora você floresce. 

Moral da História:  A vida não é apenas o que nos acontece — é sobretudo o que fazemos com o que nos acontece. As dores podem se tornar prisões ou sementes; os encontros, acidentes ou destinos. O olhar que escolhemos é o que molda a paisagem.Viver é aprender a amar, apesar das ausências, apesar das falhas, apesar do medo. Pois o que permanece, quando tudo se desfaz, é apenas a marca de quanto conseguimos amar.



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