Sonhei-me suspensa no fio do nada, um vulto dizia — sem rosto, sem alma — que eu não devia ser, que a vida em mim era erro, era sombra, era calma quebrada. Sonhei-me suspensa no fio do nada, um vulto dizia — sem rosto, sem alma — que eu não devia ser, que a vida em mim era erro, era sombra, era calma quebrada.
O ar pesava feito sentença, e eu, no meio do fim, senti um lampejo: um fogo que não morre, um desejo antigo — o de existir, ainda que doa. Pois mesmo sob o nó do destino, há em mim o grito que recusa o silêncio.
Quem me nega, não sabe: o sonho é o corpo que a morte não prende. E se disseram que eu não devia existir, é porque, talvez, eu nasci para romper o impossível.