Há seres que não se veem, mas se pressentem,
como o vento que toca sem deixar vestígios.
Vivem entre o suspiro e o silêncio,
entre o quase e o eterno —
e chamam-se anjos.
Não têm asas de plumas nem harpas douradas,
têm olhos de luz e mãos invisíveis
que sustentam o instante antes da queda.
Falam na linguagem das coincidências,
nas vozes suaves que nos desviam do abismo.
Às vezes chegam disfarçados —
num olhar que acolhe,
num estranho que ajuda,
num abraço que vem na hora exata.
Outras vezes, são apenas presença —
uma paz que surge sem motivo,
um consolo que ninguém soube explicar.
Os anjos da guarda não pedem fé,
apenas atenção.
Estão sempre ali,
na dobra do tempo,
no limite do medo,
onde o invisível se inclina sobre nós.
E quando a noite pesa e a alma se esgota,
eles recolhem o que resta de esperança,
sopram ternura sobre a ferida,
e nos lembram —
com uma leveza que não é deste mundo —
que ainda é seguro continuar.
Porque os anjos não impedem a dor,
mas nos ensinam a atravessá-la de pé.
E talvez seja esse o verdadeiro milagre:
não o de evitar as quedas,
mas o de nos ensinar a voar,
mesmo com o coração quebrado. ✨