No labirinto de espelhos, não é a perda em si que se repete, mas a pergunta: quem sou depois dela?

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No labirinto de espelhos, não é a perda em si que se repete, mas a pergunta: quem sou depois dela? Cada reflexo devolve uma versão incompleta de mim, como se a ausência tivesse quebrado a unidade do ser. A dor não é apenas ferida: é também a percepção de que o tempo, por mais que avance, sempre retorna ao ponto da falta.

O luto é essa geometria impossível — um espaço onde o caminho parece levar adiante, mas acaba sempre nos devolvendo ao mesmo centro vazio. Nele, a vida se mostra como paradoxo: somos feitos de presenças que se desfazem e de ausências que nos constituem.

Contudo, nos interstícios do vidro, nas linhas quase invisíveis das rachaduras, surge um sopro de futuro. A esperança não vem como promessa imediata, mas como intuição de que o próprio labirinto é movimento — e que se mover já é resistir.

Assim, descubro que não busco a saída, mas a transfiguração: aprender a caminhar entre espelhos sem exigir que eles devolvam o que se perdeu. Aceitar que a dor é parte da forma. E acreditar, mesmo no silêncio mais opaco, que ainda existe um horizonte onde o reflexo não será mais apenas ausência, mas também luz.

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