O luto é essa geometria impossível — um espaço onde o caminho parece levar adiante, mas acaba sempre nos devolvendo ao mesmo centro vazio. Nele, a vida se mostra como paradoxo: somos feitos de presenças que se desfazem e de ausências que nos constituem.
Contudo, nos interstícios do vidro, nas linhas quase invisíveis das rachaduras, surge um sopro de futuro. A esperança não vem como promessa imediata, mas como intuição de que o próprio labirinto é movimento — e que se mover já é resistir.
Assim, descubro que não busco a saída, mas a transfiguração: aprender a caminhar entre espelhos sem exigir que eles devolvam o que se perdeu. Aceitar que a dor é parte da forma. E acreditar, mesmo no silêncio mais opaco, que ainda existe um horizonte onde o reflexo não será mais apenas ausência, mas também luz.