Matriz da Terra

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Terra, ventre escuro e fecundo,
onde o grão repousa em silêncio,
até que o tempo, paciente,
lhe ensine a linguagem do broto.

És rugosa e macia,
pedra e pó,
abrigo de raízes que se entrelaçam
como histórias antigas.

Teu hálito é chuva,
teu canto é o vento nos campos,
teus olhos são rios que correm
sem pressa, mas sem trégua.

És ferida e cura,
peso e leveza,
ciclo que gira,
onde a morte é semente
e a vida é colheita.

Ó Terra,
quando nos deitamos em teu colo,
lembramos:
somos apenas pó que respira,
breve sopro que volta a ti.

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