E no fim, quando a noite abraça o horizonte, há silêncio, mas não vazio

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Nasce a manhã em olhos de criança,
o mundo é vasto e cheio de promessas,
as mãos são pequenas, mas carregam universos,
cada riso é aurora que se abre em pétalas.

Vem a juventude, tempestade ardente,
caminhos correm sob pés impacientes,
a sede de eternidade beija a pele,
o amor se veste de fogo e vertigem.

No meio da estrada, o corpo aprende o peso,
a mente descobre que o tempo não espera,
há rugas de experiência,
há feridas que florescem em sabedoria.

Chega o outono do ser: lento, dourado,
cada folha caída é lembrança sagrada,
o olhar repousa mais fundo,
o coração canta baixinho, mas firme.

E no fim, quando a noite abraça o horizonte,
há silêncio, mas não vazio —
há sementes guardadas no escuro,
à espera da próxima aurora.

A vida, então, não é linha reta:
é maré que sobe e desce,
é canção que se repete em outros lábios,
é círculo — infinito, eterno, sagrado.



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